Mitos e verdades sobre o consumo de leite

Principalmente nos últimos anos, o consumo de leite vem sendo tratado como polêmico entre muitas pessoas, inclusive profissionais de saúde, que remetem diferentes malefícios a esse alimento.  Há alguns dias, um post de uma médica se alastrou na internet, que fazia um discurso contra o leite, além de mostrar sua imagem vestindo a camiseta com os dizeres “Troque o leite de vaca pelo leite de coco”. O texto de hoje vem para trazer algumas reflexões sobre essa polêmica. Assim, vou trazer os argumentos mais utilizados relacionados ao leite de vaca e de outros mamíferos, que não o ser humano.

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1. Leite de vaca é alergênico e causa intolerância às pessoas

O leite de vaca é o principal alimento responsável por desencadear alergias alimentares em bebês. A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) ocorre de 2 a 6% entre os menores de dois anos, que apresenta diferentes possibilidades de causas, desde genética (pais alérgicos têm mais chances de terem filhos alérgicos), tipo de parto (o parto vaginal protege imunologicamente o bebê por causa do contato com as bactérias maternas), a exposição precoce ao leite (sabe aquele pouquinho de fórmula que dão aos bebês como protocolo nas maternidades?)… Então, temos um cenários bem desfavorável que predispõe os bebês a desenvolverem a alergia. Aí fica o questionamento se as crianças fossem amamentadas até os dois anos de idade e se tivessem nascido de partos normais teriam tantas alergias (não somente alimentares).

Com relação à intolerância à lactose, que significa aquelas pessoas que produzem menor quantidade de lactase, a enzima que quebra a lactose para que seus produtos sejam absorvidos (e esse redução da produção pode ser mais ou menos intensa), a prevalência é extremamente variável entre adultos e idosos, podendo ser inferior a 10% (entre os suecos) ou beirando os 90% (entre os japoneses). O que parece é que as populações que tendem a consumir leite ao longo da sua história aprenderam a digerir a lactose melhor do que aquelas cujo consumo de lácteos não é característico. Até mesmo por isso, não é recomendado, de forma geral entre os intolerantes à lactose, a restrição total aos lácteos, pois há tendência de intensificar os sintomas da intolerância quanto houver um contato acidental com leite e derivados.

Então, se você não é alérgico e não mama mais, o consumo de leite e derivados é uma possibilidade. Se você é intolerante, é preciso descobrir o nível seguro de consumo para te auxiliar.

2. O homem é o único mamífero que continua tomando leite depois de desmamado

É verdade (a não ser que o próprio homem ofereça leite animal a outro mamífero, pois certamente ele irá tomar)! Mas, pegando o gancho dessa afirmação, o homem também foi o mamífero que produziu diversas tecnologias relacionadas à alimentação (além de tantas outras), desde a própria cocção (que auxilia na digestão de vários alimentos), o armazenamento a frio (para a conservação), a produção de farinhas (para o preparo de pães, bolos, massas…), o uso de condimentos e sal (para aumentar a palatabilidade dos alimentos)… Então, fazer algo que outros mamíferos não fazem não significa necessariamente que estamos fazendo algo errado. Ou então temos que voltar a viver de uma forma muito diferente (começando pelo fim da internet). Provavelmente, o grande problema sobre o que o homem começou a fazer de tão diferente está no uso extremo dessas tecnologias visando outros fins. Então, não somente o leite, mas diferentes outros produtos, ganharam açúcar, gordura, conservantes, corantes, estabilizantes e tantos outros aditivos para se conservarem por ainda mais tempo e para ficarem HIPERPALATÁVEIS, ou seja, com um sabor muito mais intensificado. Além disso, outra questão importante é relacionada ao consumo excessivo e às porções aumentadas de alimentos. Veja o tamanho das garrafas de leite vendidas nos Estados Unidos. Como uma família pequena consome 5 litros de leite em 2 ou 3 dias?

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3. Beber leite é cultural

Também concordo, como a alimentação, como um todo, de cada sociedade tem um componente cultural muito forte. Brasileiros comem arroz com feijão no almoço, chineses comem arroz no café da manhã, portugueses tomam sopa nas refeições principais (mesmo no calor), no nordeste, come-se cuscuz no jantar. Isso é cultura alimentar. É algo rico e a ser tratado como positivo, além de ser respeitado.

Veja o nosso Guia Alimentar para a População Brasileira:

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Esses são relatos de café da manhã de diferentes regiões do Brasil e o leite aparece em vários pratos, geralmente associado ao café. Isso é a nossa cultura alimentar. Muito se fala o quanto isso foi colocado em nós pela indústria de alimentos. Antes da indústria, meus bisavós estavam nos sítios, criando seus animais e já tomando seu leite com café. O que a indústria nos vendeu foi o Toddynho, como uma opção que substituiria o leite in natura, ou mesmo o Nescau, para ser colocado na quantidade de 2 colheres de sopa, e tantos outros produtos ultraprocessados que diminuem a qualidade nutricional do alimento, além de matar aos poucos a nossa cultura alimentar.

4. Leite é desnecessário para o ser humano

Aqui, é importante discutir em qual sentido ele é desnecessário. Nutricionalmente, se quero viver sem leite, há grande possibilidade de conseguir repensar minha alimentação e continuar obtendo todos os nutrientes necessários. Na mesma lógica, consigo viver sem carne, sem alimentos contendo glúten e sem diversos outros tipos de alimentos que, por algum motivo, eu não desejar ou não poder comer. Nutricionistas são especialistas em ajudar as pessoas a encontrarem substitutos alimentares adequados. E os nutrientes do leite podem ser encontrados em outros alimentos, não somente o cálcio, mas a vitamina A, potássio, fósforo, proteínas, vitaminas do complexo B…

Mas temos outras necessidades, além das nutricionais. Voltando ao Guia Alimentar, um dos seus princípios é o de que os alimentos são mais do que a ingestão de nutrientes. Não comemos somente para obter energia, carboidratos, proteínas, fibras etc. Comemos porque é gostoso, porque é um ato social, resgata nossa cultura, valores, porque auxilia no desenvolvimento (ou crianças que têm contatos com alimentos com diferentes cores, texturas e aromas não recebem nenhum benefício adicional?)… E fica tão claro que leite é necessário para as pessoas que, quando se pensam em alternativas a eles, o que costuma aparecer como grande sugestão? Os leites vegetais! Líquidos e branquinhos, eles tentam devolver aquela percepção visual que temos ao tomar o leite animal, mesmo tendo sabores e valor nutricional muito diferentes. O que estava na camiseta da médica, como sugestão ao leite da vaca? O leite de coco! Poderia ser água, brócolis, sardinha… mas ela colocou algo que possa representar a bebida que costumamos ter, como hábito, no nosso café da manhã.

5. É cientificamente comprovado que leite faz mal

Estamos bem longe de consensos científicos sobre reais malefícios do leite. Talvez porque não haja… Aqui, quero discutir, também, o significado do “científico”. Para ter alguma informação qualquer de cunho científico, é necessário algum tipo de estudo, com fundamentos claros, metodologia definida e discussão consistente. Hoje, esses estudos são divulgados em revistas científicas e, mesmo assim, são passíveis de diversos questionamentos. Sou pesquisadora e posso afirmar: dá muito trabalho para se fazer uma pesquisa, mesmo pequena. E dá um trabalho grande também divulgá-la. Estar escrito em uma página qualquer de internet, inclusive aqui no Maternidade Sem Neura, não substitui uma pesquisa científica. Mesmo sendo um escrito por alguém que aparentemente tem currículo extenso, precisa ter embasamento.

E sobre o leite, o que temos são dezenas de publicações. Busquei algumas mais recentes e o que vejo, em geral, é que, quando falamos em prejuízos do consumo de leite, estamos falando de um cenário de consumo além do que atualmente é recomendado. Um exemplo: Um estudo publicado na British Medical Journal, em 2014, indicou que a alta ingestão de leite (3 pç ou mais) foi associada a maior mortalidade em uma coorte de mulheres e em outra coorte de homens e com maior incidência de fratura nas mulheres (com ressalvas dos autores frente ao modelo de estudo que podem ter interpretações erradas dos resultados). Outro, publicado no JAMA: o maior consumo de leite, definido como superior a 4 copos por dia, durante a adolescência não foi associado a um menor risco de fratura do quadril em adultos mais velhos.  E, por outro lado, temos publicados trabalhos que relacionam o consumo do leite com menor risco de obesidade central e a um fenótipo do corpo favorável, mas que isso pode ser prejudicado quando o padrão da dieta total é inadequado. Inclusive a própria questão da densidade óssea apresenta relatos favoráveis, quando um trabalho mostrou que o aumento da ingestão dietética de cálcio durante a infância, geralmente como cálcio no leite, está associado ao aumento da massa óssea na idade adulta. 

Então, muita cautela ao afirmar que já é tido que leite é nocivo. Nosso Guia Alimentar traz o leite e seus derivados como alimentos parte da alimentação da população brasileira, sendo consumido frequentemente na primeira refeição do dia, ou como ingrediente de cremes, tortas e bolos e outras preparações culinárias.

6. Harvard tirou o leite das recomendações

Harvard não incluiu o leite no modelo de “prato”, que representa a alimentação adequada. O prato é um guia síntese que mostra a proporcionalidade e os grupos de alimentos das refeições principais. O norte-americano costuma usar o leite como acompanhamento do almoço e do jantar e Harvard excluiu essa recomendação do Guia. Porém, Harvard usa, como complemento, um modelo de Pirâmide Alimentar, onde o leite e seus derivados aparecem na quantidade de uma a duas porções diárias. Chama mais atenção que, na Pirâmide de Harvard, coloca-se como opção os suplementos de cálcio. Fica o questionamento do quanto Harvard se colocou contra uma força da indústria dos alimentos, mas mantém uma valorização da indústria farmacêutica.

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Mas não podemos negar que a Universidade de Harvard é uma das instituições que traz várias reflexões sobre o leite. Apesar dela não contraindicar o consumo do leite, ela recomenda um consumo moderado e sugere outras opções alimentares que substituem o cálcio e os outros nutrientes do leite. Porém, em nenhum lugar está a proibição.

6. Não conseguimos aproveitar os nutrientes do leite

Lê-se muito que os nutrientes do leite sequer são absorvidos pelo organismo humano. Em um dos sites da rede, encontrei que ele não seria biodisponível, dependendo da presença de magnésio e que o leite acidificaria o pH sanguíneo e que, para neutralizar novamente o sangue, o cálcio do dos ossos seria retirado para retornar ao sangue, enfraquecendo os ossos. Parece assustador! Primeiramente, o cálcio do leite é absorvido na ordem dos 30%. Alguns alimentos, como couve e brócolis, apresentam maiores taxas de absorção, mas, por outro lado, possuem menores quantidades de cálcio.

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E você sabe o que realmente ajuda e atrapalha na absorção do cálcio? Para ajudar, a vitamina D é um nutriente importante. A proteína (em quantidade adequada), a lactose e o meio ácido no estômago também facilitam a absorção. Já o excesso de proteínas, o alto teor de sódio, os fitatos (presentes em cereais integrais e leguminosas) e o oxalato (no espinafre, por exemplo), interferem negativamente na sua absorção. Veja que falei de acidez no estômago e não no sangue. Não há evidências científicas de que o pH do sangue do organismo de uma pessoa possa ser alterado pela alimentação. Isso vale para o leite e para todos os outros alimentos.

E não precisamos surtar com todas essas interações entre os alimentos. Sempre comemos diversos alimentos que estão interferindo positiva ou negativamente um no outro. Tudo isso é considerado quando se faz uma recomendação de quantidades diárias de nutrientes. Uma pessoa “padrão” não precisaria se preocupar com as fibras do almoço poderem interferir na absorção do cálcio, por exemplo, porque ele vai ser melhor absorvido em outros momentos. O problema começa a surgir quando as dietas passam a ficar desequilibradas.

7. Leite dá câncer

Esse é outro argumento que surge contra os lácteos. E, nesse caso, há trabalhos que investigam esse assunto, mas que, na mesma lógica do tópico 5, uma quantidade excessiva de leite, decorrente de um padrão alimentar desbalanceado, aumenta o risco para o desenvolvimento de câncer de próstata. Por outro lado, o consumo adequado está relacionado ao menor risco de câncer de cólon, por exemplo, tal como afirma a própria Universidade de Harvard. Isso também é o que aparece como conclusão no trabalho de Davoodi e colaboradores, de 2013, que é uma revisão de literatura sobre câncer e consumo de leite: o dano às pessoas, em geral, tende a ocorrer com consumo absolutamente excessivo e indiscriminado, em vez de uma ingestão diária moderada, conforme recomendado por nutricionistas e médicos. 

8. Leite contém hormônios, formol, água oxigenada e antibióticos

Há poucos anos atrás, começaram a surgir denúncias graves sobre empresas que acrescentavam substâncias inadequadas ao leite, como formol, soda cáustica e água oxigenada. Todos esses casos que aconteceram (ou acontecem?) envolvem os nomes de grandes produtoras de leite UHT, ou seja, aqueles que vêm em caixinhas. A produção do leite UHT não contempla exigências em relação ao tipo de ordenha do leite, podendo ser realizada de forma manual ou mecânica, totalmente em circuito fechado ou do tipo balde ao pé. Além disso, não é a empresa que está estampada na caixinha que produz o leite: existem diversos produtores envolvidos e, por isso, o leite ordenhado precisa ser transportado. A soma desses fatores aumenta a possibilidade de contaminação do leite e de alterações causadas por microrganismos, além de aumentar a chance de irregularidades, como as encontradas nesses anos. E também existe o processo de pasteurização desse leite, que é o que o nomeia UHT: o leite é aquecido de 130 à 150°C por 2 a 4 segundos, seguido por resfriamento até uma temperatura menor que 32°C. Já no caso do leite pasteurizado tipo A, a empresa que vende é aquela que produz o leite, respeitando uma série de exigências e com maior controle da ordenha e maior exigência no controle microbiológico do leite ainda cru. Além do processo de produção, há pouca literatura sobre o efeito ao organismo do leite UHT. Um trabalho de Lacroix e colaboradores (2008) sugeriu digestão e metabolização diferenciadas desse leite, comparado ao leite pasteurizado, provavelmente devido a alterações na proteína que ocorre com o aquecimento intenso.

Já a questão dos hormônios, diversos países têm restringindo o uso de hormônios na produção animal devido ao perigo potencial para saúde humana e a deficiência de metodologias sensíveis para sua detecção. No Brasil,  desde 1991, proibiu-se a importação, produção, comercialização e uso de substâncias naturais ou artificiais para
fins de crescimento e/ou engorda de animais de corte. A partir de 1999, tornou-se crime
hediondo o uso de anabolizantes, mas ainda há o risco de comercialização de forma ilegal. Sobre os antibióticos, a presença de resíduos é controlada pela ANVISA e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, que autoriza o uso de cerca de alguns compostos antibióticos como aditivos na alimentação animal e/ou  para fins terapêuticos. O uso de antibióticos de forma responsável pode produzir benefícios na produção de alimentos mais seguros, enquanto o uso excessivo pode estar associado
a problemas nos procedimentos realizados nos estabelecimentos de criação. Aí, mais uma vez a necessidade de se optar por produtos de produtores confiáveis, um cuidado que não se restringe ao consumo de leite, mas de tantos outros alimentos. Alimentos de origem vegetal são passíveis de contaminação excessiva por agrotóxicos, em quantidade superior ao que seria tolerado por nós e com legislação brasileira bastante frágil. E não é por isso que fazemos apologia para deixarmos de consumir frutas, legumes e verduras.

9. Um leite vegetal é mais saudável do que o leite da vaca

Não vou questionar se leites vegetais são os não saudáveis, mas quero trazer novamente a discussão de que leites vegetais não se assemelham nutricionalmente ao leite animal. A semelhança é visual, pela sua coloração e consistência, pois pode ser um produto de diferentes origens, como cereais (arroz e aveia), leguminosas (soja), frutas (coco), tubérculos (inhame), oleaginosas (castanha). Um adulto que opta por essa substituição precisa estar atento a essa informação, mas é possível realizar diferentes ajustes na sua alimentação para obter os nutrientes presentes no leite animal. Isso torna-se, porém, um problema em bebês desmamados. Tenho acompanhado, com cada vez mais frequência, famílias que utilizam leites vegetais, às vezes por orientação de profissionais da saúde, como sendo a fonte “láctea” a esse bebê. Aqui é importante lembrar que, até dois anos de idade, o bebê é definido como lactente, ou seja, deveria estar em aleitamento materno e, mais do que isso, até um ano de idade, o leite materno precisa ser o principal alimento. Se, por algum motivo, o aleitamento materno não se manteve, o uso de um produto que tente se aproximar a ele é a recomendação. Assim, é indiscutível que inhame, castanhas ou arroz não sejam semelhantes ao leite materno. São muito diferentes. Mais do que isso, a introdução de outros alimentos de forma precoce está associada a diversos problemas de saúde, incluindo o aumento do risco de mortalidade.

  1. Consumir leite de vaca gera impactos ambientais enormes

De forma geral, a pecuária tem um impacto ambiental maior do que a agricultura e esse é um dos grandes argumentos de quem opta pela alimentação vegetariana. É um argumento verdadeiro e válido. E a pecuária vem crescendo de forma contínua ao longo das décadas. De 1980 a 2012, a produção brasileira de leite quase triplicou. Por outro lado, o consumo per capita diário médio de um brasileiro, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares é de 33,9g, algo que não chegaria a uma xícara de café de leite. Como isso é possível? Por que tanto leite é produzido se o consumo de leite é tão baixo?

Por diversos motivos! Primeiro, estamos falando de um país com uma enorme desigualdade social: enquanto uma parcela bastante grande não tem acesso sequer a arroz e feijão diariamente, ou número absoluto elevado de brasileiros apresenta padrão de consumo digno aos países mais ricos. Também temos um cenário de exportação muito ampliado, ou seja, não produzimos somente para consumo interno. Outro ponto é com relação ao processamento do leite e a produção de alimentos ultraprocessados que se utilizam do leite como matéria prima, como bebidas lácteas, iogurtes, requeijões, pães etc. Quem tem ou teve filho com APLV bem sabe que é muito difícil encontrar um industrializado sem leite. Essa produção aumenta a demanda  de leite. Para produzir 1kg de queijo, por exemplo, precisamos de cerca de 10 litros de leite.

Isso é algo que me chama atenção. Muitas vezes, vejo as pessoas tratando como categorias diferentes o leite animal (a bebida), colocando-o como nocivo e nojento, dos seus derivados (como queijo e manteiga). Vejamos: Tudo é feito de leite! A manteiga  é da nata do leite, mas traz um pouco da sua proteína também, enquanto o queijo é um concentrado do leite, com alterações na quantidade da lactose e na estrutura proteica. Mas o leite está lá presente e o consumo desses produtos também devem ser considerados. Então, se você abomina o leite líquido (que não seja por alguma reação do seu corpo), mas não abre mão de um pedaço de queijo, é bom repensar o motivo dessas escolhas.

Vale, novamente, a reflexão de que se tivermos um padrão alimentar com menos alimentos industrializados e não consumindo quantidade exagerada de leite, a pecuária já teria um impacto ambiental bem menor.

Conclusões???

Algo que me coloco contra é a respeito das imposições que muitos profissionais da saúde fazem. Em vez de trazer orientações, trazem regras. Mandar alguém consumir leite é tão perigoso quanto mandar alguém não usá-lo. Então, consumir ou não consumir leite precisa ser uma escolha da pessoa, antes de ser norma para uma boa saúde. E, como qualquer escolha, é ideal que ela seja bem informada. Não menosprezo quem opta pelo não consumo do leite (ou de alimentos de origem animal) por outros motivos que não estejam relacionados ao aspecto nutricional. Pelo contrário! Tudo isso, precisa ser considerado e tratado com a mesma importância de qualquer outra restrição. Então, esse texto não veio com o objetivo de se fazer apologia ao leite. Ele veio para trazer alguns argumentos e discussões diante de diferentes afirmações que são multiplicadas rede afora, muitas vezes, sem um respaldo científico ou interpretando indevidamente os achados da literatura. Novamente, como qualquer outro alimento, é importante que aprendamos a nos conhecer: se sinto que, comendo ou bebendo algo, não fico bem, isso precisa ser investigado e cuidado.

 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25091435

 

https://www.denisecarreiro.com.br/artigos_artigoleite.php

 

https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/what-should-you-eat/calcium-and-milk/

http://www.soc-bdr.org/content/e4/e887/volRdsVolumes17236/issRdsIssues18244/chpRdsChapters18275/strRdsArticles18276/?preview=previe 

http://journals.co-action.net/index.php/fnr/article/view/32527 

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