Fique atento com as orientações que recebe sobre alimentação infantil

Na semana passada, em um grupo de mães, me deparei com um post que trazia as “orientações” sobre alimentação complementar de um pediatra. Abaixo, está o print do documento que foi entregue à mãe, sem qualquer identificação, porque o objetivo aqui não é expor publicamente o médico (apesar que medidas de denúncia devem ser tomadas).


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A orientação acima traz diversas informações que fogem daquilo que Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e, inclusive, Sociedade Brasileira de Pediatria, preconizam:

  • Oferta de sucos logo ao início da introdução de alimentos (Não é necessário e, pior, não é recomendado para menores de um ano. Tem texto sobre isso aqui.)
  • Padronização da introdução de refeições e de alimentos sem considerar a evolução da aceitação do bebê (Bebês não são produção em série da humanidade. Por mais que seja esperado um padrão, as diferenças precisam ser respeitadas e, inclusive, tratadas como esperadas.)
  • Introdução alimentar a partir do segundo mês de vida em bebês desmamados (Sexto mês é a recomendação, mesmo se o bebê estiver com fórmula… O Guia Alimentar para Menores de Dois Anos antigo fala em antecipar para o 4o mês, mas também desconsidera o uso de fórmulas.)
  • Recomendação de açúcar e farinhas para espessar as bebidas (Já está mais do que comprovado que essas estratégias contribuem para a obesidade e tende a expor a outros riscos, como cáries e alterações no paladar.)
  • Oferta de sopas (A consistência da alimentação, mesmo pensando no método tradicional, deve ser pastosa, sem necessidade de adição de líquidos.)
  • Uso de liquidificador para triturar alimentos (Liquidificar ou peneirar os alimentos deixa-os com a mesma consistência. Mesmo que a família não opte pelo BLW, os alimentos devem ser amassados com garfo, desfiados ou picados.)
  • Recomendação de sobremesas que não são frutas, mas são gelatinas, goiabada e requeijão (O repertório alimentar que o bebê precisa no primeiro ano é baseado em alimentos in natura ou minimamente processados. Nada mais do que isso.)
  • Recomendação de papinhas industrializada e petit suisse (Já vale o comentário anterior. Papinhas industrializadas, mesmo que sem conservantes, tendem a ter farinhas para espessar e/ou sucos de frutas mais adocicadas para modificar o sabor, além de uma textura inadequada e com tudo misturado.)
  • Indicação de marcas (Pelo menos para nutricionistas, somente podemos recomendar uma marca específica caso não haja nenhum substituto adequado no mercado. É antiético.)
  • Incentivo ao desmame (Se chamamos de “alimentação complementar”, já deveria estar claro, pelo menos ao profissional, que a alimentação complementa o aleitamento. Logo, o aleitamento é importante que esteja presente e se constitui, idealmente, como o principal alimento.)

Isso não é um caso e, novamente em um grupo, outra mãe veio buscar argumentos contra a médica do filho que quer que a alimentação complementar seja iniciada aos quatro meses, em vez de seis, sem qualquer justificativa plausível e, pior, de uma forma autoritária, deixando a família em uma situação de pressão e culpa (por não fazer aquilo que ela “mandou”).

Diante disso, é inevitável a insegurança de buscar orientação para o seu filho. Em vez de estereotipar a classe médica (afinal, isso pode ser observado em outros profissionais da saúde e já peguei colegas nutricionistas igualmente despreparados), prefiro trazer o alerta de buscar BEM os profissionais da saúde que farão algum tipo de atenção ao seu filho: pediatra, nutricionista, dentista, fonoaudiólogo e quem mais for necessário. Questionar a conduta é fundamental, por mais que isso te faça parecer chata! Mesmo que ele tenha maior competência técnica do que você, o fato de ter concluído uma graduação (ou residencia) não nos dá total segurança para acreditar às cegas em ninguém.

Falando mais sobre o assunto da alimentação, o pediatra tem informações básicas sobre o assunto, ou seja, deveria ser capaz de orientar como conduzir com a introdução de alimentos da maioria dos bebês. Mas para se ter uma orientação com maior profundidade, um nutricionista especialista em bebês e crianças deve ser uma opção mais adequada. Mais do que saber prescrever horários e consistências  recomendadas para a idade do seu filho, o nutricionista conseguirá trabalhar a escolha dos alimentos, higienização, armazenamento, preparo e formas de oferta, além de discutir com a família as estratégias para fazer da alimentação infantil um momento positivo e de experiências que reflitam favoravelmente nos hábitos alimentares da criança. Como apresenta formação no campo da saúde, o nutricionista também estará apto para entender sobre absorção dos nutrientes e interações entre eles, auxiliando direta ou indiretamente no desenvolvimento adequado do bebê.

Voltando ao que recebemos de orientações, independente de quem venha, especialmente se não tiver formação formal (mas também para aqueles com os currículos mais gabaritados), vale a máxima de pesquisar, buscar de outras famílias as experiências que tiveram com esse profissional e aproveitar ao máximo o momento do atendimento para que seja produtivo e que não te deixe ainda mais confuso e desconfiado! Quando você contrapõe uma orientação que não concorda, você vai estimular que a outra pessoa pense ora para de trazer mais argumentos ora para se dar conta daquilo que falou.  Certamente, em um próximo atendimento, ele se lembrará de você e, talvez, tente fazer diferente. As denúncias, apesar de parecerem medidas drásticas, também são formas de se tirar da invisibilidade todas as “desorientações” que recebemos constantemente. Se todos tivéssemos esse hábito de registrar um mau atendimento, também poderíamos ter um cenário mais seguro a todos.

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Categorias:Falando um Pouco Sobre...

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