A alimentação dos filhos é importante… E a sua? As incoerências entre a alimentação dos pais e dos filhos

Por mais que critiquemos como os adultos alimentam as crianças, especialmente os bebês, ainda observo um cuidado maior entre as pessoas em proporcionar algo que seja o melhor para eles. Ainda estamos muito longe de um cenário ideal, no qual os bebês iniciam sua alimentação complementar a partir dos 6 meses, evitam doces até os 2 anos e os ultraprocessados não fazem parte do seu cardápio. Longe de mim achar que está tudo resolvido! Mas, talvez por estar conectada a diversos grupos relacionados à maternidade, vejo diariamente mulheres se esmerando para respeitar os sinais de prontidão do bebê, para praticar o BLW, para manter a amamentação após o fim da licença, para comprar orgânicos etc etc etc. Mas, quando paro para olhar o entorno desse bebê, muitas vezes percebo que ele está em uma realidade descolada da sua família. São centenas de pais que não comem em horários regulares, que realizam refeições incompletas, que comem rápido, que comem as “tranqueiras” escondidos.

E tem uma outra situação que venho me deparando e tentando refletir sobre ela e que atinge principalmente às mulheres. A busca de um ideal de corpo às custas de distintas estratégias na alimentação: parando de comer carboidrato, praticando o jejum, consumindo whey protein, bebendo sucos que prometem desintoxicar o organismo, seguindo musas fitness, pagando (caro) por programas do tipo “mude sua vida em 30 dias” (que existem em diversas versões de períodos de tempo ou com promessas distintas, desde emagrecimento até “reprogramar” seu organismo)…

Aí fico pensando como que essa mãe e esse filho dividem o mesmo espaço de refeição, com características tão diferentes. Me questiono também o que, de fato, essa mulher acredita que seja o ideal para se manter saudável. Se estou ensinando o meu filho a comer arroz com feijão, a ter contato com os alimentos e a fazer várias refeições por dia… por que eu seguiria uma ideia contrária? Se eu deposito tantos esforços para que ele construa hábitos alimentares duradouros ao longo da vida, de onde vem a minha crença de que eu devo me submeter a um tratamento de choque para ficar bem? Se é bom para a criança, não deveria ser bom também para o adulto?

Qual é o conceito de alimentação saudável que você tem? O que você compreende por saúde?

dieta

Já não é novidade que os filhos nos têm como exemplos. E eles nos observam MUITO, desde muito cedo. Outro dia, minha filha preparou bebidas para todos nós, em uma brincadeira. E a bebida do papai era a Coca Zero. Saiu da boca dela. Não é algo que ela tenha contato, mas é óbvio que ela sabe que o pai pede Coca-cola quando vai a um restaurante e registrou isso. E ainda me soltou um “quando eu for grande, eu vou poder tomar Coca?”. É isso! Ela não sabe que gosto que tem, nunca pediu para tomar, mas tem gravado que é a bebida do papai. E ela quer ser gente grande igual ao papai no futuro.

Assim, as relações que nós, adultos, temos com os alimentos (e com os nossos corpos) são percebidas pelos pequenos e são registradas por eles. Podem não se manifestar hoje, mas poderão ser mobilizadas em algum momento futuro, muito provavelmente como nós registramos como nossos pais se comportavam quando éramos crianças.

E volto a falar da mulher e da sua maternidade. É um clássico falar que a maternidade é transformadora. É mesmo! Incluindo o nosso corpo. A mulher ganha 10, 20 quilos ao longo de nove meses e aí o bebê nasce. E a gente se olha no espelho e continua fisicamente grávida. Mesmo passado o inchaço dos primeiros dias e após as primeiras semanas do puerpério, muito provavelmente, o corpo da mãe continuará diferente. E assim ele poderá permanecer para sempre. Hoje, eu digo: talvez não esteja melhor, mas talvez também não esteja pior. Só é um corpo diferente. É natural que seja assim! Mas temos uma cobrança interna, muito bem reforçada pelo mundo afora: as recém-mães famosas que exibem “corpão magérrimo”, as roupas que você gosta que não possuem a numeração que você precisa e, claro, as receitas milagrosas que vendem o sonho do corpo desejado.

Mulheres! Não se iludam! Naturalmente, com o passar do tempo, todas mudamos e pode estar tudo bem com isso. Deveria estar. Não é só o “ser magra” que te faz bonita. Muito menos, te faz saudável. É muito difícil remar contra a corrente, ou seja, dizer que está tudo bem estando mais pesada do que antes… Mas nós já remamos tanto contra a corrente no cuidado relacionado aos nossos filhos! Então, é só continuar remando na mesma direção!

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