Por que as crianças param de comer a partir dos dois anos?

Qualquer mãe ou pai se preocupa com a alimentação dos filhos. Primeiro, com as experiências com a introdução de alimentos. Depois, quando parece que está tudo sob controle, lá pelos dois anos, eles têm uma queda brusca no apetite, tanto em quantidade, como em variedade. E por que isso acontece? Aqui, vamos explicar algumas das razões, que são tanto naturais da idade como também proporcionadas por nós, adultos.

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A criança diminui seu ritmo de crescimento

No primeiro ano de vida, o bebê triplica o seu peso e dobra de comprimento. Além disso, a relação entre peso e comprimento é diferente da de um adulto. Com o passar dos primeiros anos, a velocidade do crescimento diminui e só volta a se intensificar na adolescência. Por isso, as crianças acabam, aparentemente, comendo menos. Na verdade, a nossa expectativa acaba sendo maior do que eles realmente precisam.

O padrão alimentar da criança muda 

Além da diminuição do ritmo de crescimento, os tipos de alimentos que a criança come são diferentes de um bebê. Um bebê tende a comer alimentos praticamente sem gordura, geralmente pouco processados e sem açúcar, que terão menos densidade energética, ou seja, menos calorias em uma determinada quantidade. Ao integrar a alimentação da família, isso muda. Mesmo uma família com uma alimentação considerada saudável, a criança já comerá alimentos que darão maior saciedade (e mais calorias): pães, queijos, tortas, bolos, sucos… Mas a maioria das crianças, já aos dois anos, está exposta a refrigerantes, salgadinhos, guloseimas, biscoitos, bebidas lácteas, que terão uma densidade energética muito maior. Com alimentos assim no dia a dia, fica difícil sentir fome para realizar as refeições mais tradicionais. Além disso, não podemos esquecer que a capacidade do estômago de uma criança é bem menor do que a de um adulto. Ela também é menos influenciada pela “gula”, ou seja, o comer mesmo sem fome. Então, ela poderá sentar à mesa sem mexer na comida e, mesmo assim, estar sem fome.

Crianças de dois anos começam a adquirir autonomia

Já falamos aqui sobre o terrible twos. É um momento em que nossos filhos começam a conquistar a autonomia. Uma forma de nos mostrar isso é nos contrariando. A alimentação faz parte das possibilidades de conflito. Então, é natural a criança pedir feijão e, em poucos segundos, se recusar a comer. Ou chorar inconsolavelmente porque você a serviu com macarronada. Nesses momentos, paciência. Forçar a barra ou pressionar não costuma ajudar muito. Tente deixar a comida disponível para comer mais tarde, chame-o para participar da montagem do prato (e do preparo da comida) e evite fazer chantagens ou premiações vinculadas à comida.

O paladar da criança começa a se consolidar

Um bebê come e deixa de comer um determinado alimento de um dia para o outro. Já uma criança, por mais que ainda seja flexível, já nos mostra com mais clareza as suas preferências e as suas aversões. E saiba que essas preferências são decorrentes do período de introdução de alimentos. Então, se ela conhecer muitos alimentos, com sabores distintos, a chance dela continuar simpatizando com uma parcela deles, é maior.

É um momento de neofobia

Esse é o medo do novo. A chance de uma criança experimentar alimentos voluntariamente diminui nessa idade. São por essas características que existem aqueles menus infantis monótonos: bife, batata frita e macarrão. A chance de sucesso é maior (e escândalos em público, menor). Claro que não precisa (nem deve) ser um menu tão pobre, mas dificilmente seu filho comerá risoto com cogumelos frutos do mar a partir de agora. Mas, nunca se esqueça, ofereça sempre!

A mídia e a sociedade exercem maior influência

Quando bebês, os pais são as maiores referências aos filhos. Após o segundo ano de vida, normalmente eles já frequentam escola e lá vão se socializar com crianças e adultos com outros hábitos. É muito comum uma criança reproduzir a rejeição de um coleguinha. Mas o contrário também acontece: pode passar a comer depois que o melhor amigo também come. Nesse momento, a mídia, por meio dos personagens infantis e propagandas, exercem um forte apelo neles, sugestionando o consumo de determinados produtos em detrimento de outros. A opinião dos pais ainda tende a prevalecer, mas não é fácil driblar diante de tantas influências poderosas. Assim, é o momento dos pais direcionarem melhor o ambiente em que os filhos estão expostos, desde a escola que frequentará, o tempo em que ficará na televisão e assistindo a quais programas, além dos passeios que farão. Uma ida ao shopping é muito diferente de uma brincadeira numa praça.

 

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