O desfralde e mais uma conquista dos nossos filhos

Nesse texto, quero contar um pouco da minha experiência como mãe com o desfralde. A Manu está completando 2 anos e 8 meses. Há mais de um ano, temos um penico em casa porque ela havia se encantado com o que viu na casa de um amiguinho e eu achava que isso já era um sinal. Ledo engano. O penico virou um artigo de decoração e de brincadeiras e raramente recebia o xixi da Manu.

No final do ano passado, veio o encantamento pelas calcinhas. Manu começou a  gostar muito da ideia de escolhê-las e vesti-las. Como mãe que tenta ser organizada, imaginei que o desfralde seria muito propício porque ela ficaria mais de um mês de férias, sem creche. Assim, seria uma ótima oportunidade para que o processo acontecesse enquanto ela estivesse conosco. Mas minha filha não funciona como eu planejo (que bom!). Ela não se mostrava simpática aos meus convites para fazer xixi no banheiro e começou a brigar para colocarmos a fralda.

Então, decidi relaxar! Li um texto que falava que não é o adulto que desfralda a criança. É a criança que se desfralda sozinha e, quando o adulto atrapalha esse processo (tentando antecipá-lo, pode acarretar em enurese noturna quando mais velho, ou seja, fazer xixi na cama dente outros problemas). E, então, no feriado da Páscoa viajamos para a casa dos meus pais e a Manu topou ficar sem fralda a maior parte do tempo e pedia para acompanhá-la ao banheiro. Não teve nenhum escape em 3 dias. Colocava a fralda, porém, quando ela pedia (geralmente para o cocô) e para dormir.

Terminado o feriado, tinha que tomar uma decisão: levá-la a creche com ou sem fralda? Conversei com ela, que topou ir sem. Chegando lá, dei a notícia às professoras e aí elas já me deram uma dica: chamar a Manu para darmos o recado juntas e já conversando com ela sobre chamar as professoras para ir ao banheiro. E lá ela ficou sem fralda e com várias trocas de roupas na mochila:

Nesses cinco dias, tivemos situações diversas: um dia ela insistiu para ir de fralda para a creche, teve uma suspeita de reter o cocô e o xixi, começou a ter febre (e eu suspeitei de um impacto emocional pelo desfralde), teve um dia de vários escapes. Mas estamos há uma semana nos mantendo nesse processo, praticamente sem choro, com muita conversa e paciência.

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Aqui vão algumas sugestões para as famílias que estão se deparando com esse momento:

  • Tenha várias opções para a criança: penico e redutor de assento! Se tiver mais de um banheiro em casa, vale ter um penico em cada um deles. Cada criança fica mais à vontade usando um ou outro. Então é bom facilitar. Um degrau para a criança acessar o vaso do adulto também é importante.
  • Não fique falando sobre isso o dia todo. Ninguém fala de xixi e de coco o dia todo. Sem percebermos, quando a criança está desfraldando, na melhor das intenções, ficamos o tempo todo oferecendo para ir ao banheiro, perguntando se quer fazer xixi, se fez coco na escola. além de irritar (minha filha fica nitidamente aborrecida com isso), quando falamos muito sobre isso, colocamos muitos holofotes para as necessidades fisiológicas da criança. E ela perceberá que isso te preocupa e faz com que receba atenção. Então, procure valorizar quando tudo estiver correndo bem! Uma orientação que recebi na creche quando começamos a suspeitar que ela estava segurando o cocô foi a de não falarmos mais sobre isso com ela. Deixei de perguntar se tinha feito ou se queria fazer. Só correspondia quando ela falava sobre o assunto. Coincidência ou não, o intestino voltou a funcionar.
  • Faça uma despedida bem divertida para o cocô e o xixi. Sempre que a Manu faz xixi na penico, jogamos juntas no vaso sanitário e damos tchau a ele. Para o  cocô, que ainda está na fralda, tenho mostrado a ela que o lugar para ele “morar” também é no vaso. Então, dou um jeito de jogar o conteúdo da fralda com ela e dar boa viagem ao cocô.
  • Converse abertamente com a criança. Com a Manu combinei de colocarmos fralda para dormir, quando formos ficar muito tempo no carro e para o cocô. Isso foi um acordo nosso em função do que percebi com relação aos seus avanços (controla bem o xixi durante o dia, mas não demonstra habilidade de fazer cocô sem as fraldas ou de passar a noite sem urinar). Com o seu filho, o acordo certamente será diferente. Mas é importante que haja a conversa e que a criança se mostre em concordância.
  • Não mostre decepção ou irritação. Às vezes, não controlamos nossa feição ao ver um xixi escorrendo pelo sofá novo ou um cocô no meio do shopping. Mas não estamos ajudando em nada a criança com isso ou com comentários do tipo “que pena que você sujou a calça” ou “deveria ter me avisado”. A criança está aprendendo e vai ter muitos escapes. Você, como adulto, precisa aprender a lidar naturalmente com eles porque não durarão muito tempo. Assim, a criança percebe que está tudo bem e não se sente culpada ou triste. Ela sabe quais são as nossas expectativas e tenha certeza que, para ela, é frustrante não conseguir atendê-las.
  • Releve a falta de habilidade do seu filho com a higiene (mas tome cuidado por ele)! Nesse momento, são muitas novidades para a criança: perceber o sinal do xixi (ou do cocô), avisar, ir ao banheiro, tirar a roupa, sentar, segurar-se, secar-se, jogar o papel no lixo, dar a descarga, vestir-se, lavar as mãos e enxugá-las (não necessariamente nessa ordem). Então, vai acontecer de colocar a mão onde não deveria, melecar as roupas, em vez de se limpar, sujar mais… Mas, seja delicado e, na medida do possível, deixe. Ficar ao lado falando “não põe a mão aí”, “cuidado para não encostar no xixi” etc etc etc dá um ar de dificuldade que pode desestimular a criança (e fazê-la preferir ficar com as fraldas). Então, aos poucos, vá ensinando os hábitos de higiene.
  • Quando sair, além de levar várias trocas de roupas, leve toalhas ou fraldas para secar seu filho e o chão, caso haja escape, e sacolinhas para as roupas sujas. Pense onde haverá um banheiro no local onde estão. Quando EU fico insegura do local, tenho optado por uma daquelas calcinhas com absorvente. Elas seguram uma pequena quantidade de xixi. Mas isso é uma insegurança minha que tento não demonstrar para a Manu.
  • Leve seu filho ou filha para comprar as cuecas ou calcinhas. Isso é uma ótima forma da criança ficar empolgada com a nova fase, porque ela está participando da tomada de decisão. Ajuda também fazê-la escolher a calcinha/cueca que irá usar e, inclusive, opinar no restante do vestuário. Afinal, seu bebê cresceu mesmo com o desfralde!

Essas sugestões são a partir do que venho fazendo com a Manu! E, finalizando, o desfralde aqui ainda está em andamento e, quem sabe, em breve trarei mais novidades!

Em tempo, o final de semana me deixou mais tranquila. Manu agiu naturalmente com relação a não estar de fralda, sem momentos de choro. Inclusive, saímos de casa algumas vezes e ela conseguiu fazer xixi em outro banheiros. Continuamos com a fralda para o cocô e espero que, em breve, ela também se teste indo ao vaso. O que tiro desse experiência? Quando é a criança que assume a frente no processo de desfralde, ele tende a ser mais positivo e sossegado. Sei que muitas famílias e escolas insistem no desfralde em um determinada idade, mas não consigo ver isso como benéfico ou necessário. Cada criança tem seu tempo e não há motivo para não respeitar isso!

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Categorias:Experiências e Vivências

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2 respostas

  1. Parabéns pelo texto, adorei!
    Vou repassar para as professoras do Cei que trabalho!
    Um abraço,

    Curtido por 1 pessoa

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