O tabu da cama compartilhada

Esse texto deveria ter sido um dos primeiros do blog devido à sua polêmica, mas também pela importância. Com diversos outros temas surgindo, a discussão da cama compartilhada foi ficando para trás até que um dia ouvi algo como “eu gosto de dormir com os meus filhos, mas como não é saudável, cada um dorme no seu lugar”. Aí, o “saudável” machucou. E esses são os termos que cercam: errado, inadequado, perigoso, impróprio, vício, dependência… Quantas mães não mentem ao pediatra falando que não dormem com seus filhos? Por que precisamos mentir?
Então, resolvi contar a minha experiência…

Antes da Manu nascer, tinha a convicção de que ela iria automaticamente para o seu quarto, para que já soubesse onde era o seu espaço. Depois de algumas pessoas que me contaram suas experiências e um pouco mais de informação (e reflexão), preparei um moisés para tê-la mais perto, em nosso quarto. Ali ela dormiu por dois meses, daquele jeito que bebê novo dorme: acordando a cada duas, três horas. Como mãe, me realizava em tê-la ali pertinho, mas algo me dizia que ela não estava confortável. Não sei se era a estrutura do moisés, que não era totalmente plana e ainda o vime fazia barulho, ou pelos próprios barulhos meus e do marido, que ficávamos indo a toda hora à ponta da cama para espiá-la. Assim, completando dois meses, a amamentei e pus no seu quarto, no berço, para testar. E ela dormiu a noite toda. Não sei se foi coincidência (também não sei se foi positivo porque ela passou a ganhar menos peso), mas ela dormiu bem melhor por meses. Exceto na primeira noite, em que eu sofri, depois eu também dormi muito melhor. Ficamos assim até sproximadamente os seus oito meses. Ela passou a demorar horas para dormir e acordava após pouco tempo. Isso começou a acontecer semanas depois o fim da licença-maternidade. O trabalho remunerado me consumia e tinha muita dificuldade para organizar a rotina alimentação-banho-atenção nas poucas horas que estávamos juntas. Estava esgotada. O marido era contra trazê-la para a cama e, assim, dei-lhe a incumbência de acolhê-la quando acordasse. Ele tentava, enquanto a Manu ficava mais irritada e, enfim, trouxe-me ela para nossa cama.

Dormimos os três juntos por cerca de quatro meses. No começo, tinha insegurança de machucá-la (nunca aconteceu) e era desconfortável porque a pequenininha não parava quieta. Com o tempo, foi ficando muito bom tê-la ali. Era a recompensa de um dia inteiro afastadas. E, graças à cama compartilhada, atravessei melhor essa adaptação de volta ao trabalho. Quando ela fez um ano, novamente comecei a achar que tê-la ali estava sendo mais importante para mim do que para ela e, então, fiz novamente a tentativa do berço. Na primeira noite, acordou umas quatro vezes (e eu quem ia acolher e amamentar). Depois, diminuiu para três, duas, até se manter, mais ou menos, acordando uma vez, geralmente próximo ao amanhecer.

Hoje, ela tem 30 meses e, quando ela ou eu precisamos, fazemos cama compartilhada. Existem dias ou semanas em que ela quer ficar mais próxima e chora quando se vê em seu quarto; outros dias, com algum problema de saúde também a trago para nossa cama. Nunca mais me levantei para niná-la. Desde que desmontamos o berço, ela levanta e vem até a nossa cama, geralmente um pouco antes do dia clarear.

Se fez algum mal a ela dormir junto conosco, não consigo medir. Se fez para a gente, mãe e pai? Algumas dores eventuais por ter alguém espaçoso entre nós (que pode gerar a desistência do pai ou minha em permanecer na cama). Mas essa é a nossa dinâmica que vem funcionando: dormimos, pelo menos, seis horas contínuas, enquanto a filha cresce e se desenvolve bem. Ah… A pediatra da época achava que dormia no seu berço.

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Categorias:Experiências e Vivências

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