Os problemas do “leite” sem lactose da lata amarela

Tal como foi abordado no post anterior, chamado ‘O “leite” sem lactose da lata amarela e a APLV‘, da forma como o produto foi apresentado, instalou-se uma confusão grande entre consumidores. Até hoje, a página do fabricante possui mais de 1600 comentários. Muitos elogios e agradecimentos pelo lançamento. Mas, não é difícil de encontrar relatos e reclamações de reações, em especial em crianças, ao usarem o produto. Obviamente, não consegui ler todos. Cheguei a ver uns 60 e me deparei com os relatos abaixo:

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Além da quantidade de problemas relatados, como diarreias, que levaram até à hospitalização, a resposta do fabricante, apesar de emitir uma preocupação, é padronizada e levada à uma conversa inbox. Algo assim já poderia ser esclarecido abertamente, explicando que o produto deve ser prescrito pelo médico ou pelo nutricionista e certamente a reação é decorrente do fato do produto não ser indicado ao problema da criança.

Me chamou atenção um outro perfil de mensagens e de respostas. Mesmo as pessoas que indicaram usar o produto entre menores de 6 meses não tiveram uma resposta direta ao risco que estão correndo. Esclarecer que o produto não é indicado para essa idade seria o mínimo a ser feito. 

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O impacto de produtos como esse, cuja empresa capricha na publicidade, fazendo-a de forma massiva, sem discriminar o seu real público é um problema. Você pode me dizer “mas as mães da propaganda falam várias vezes que seus filhos têm problema com a lactose”. Então a propaganda é clara? É só circular em grupos de mães pelas redes sociais que você perceberá como a relação entre a lactose e algum sintoma do bebê (cólica, irritabilidade, refluxo, vômito e sono ruim) é diversas vezes mencionada. Você sabia que isso é uma informação errada? Bebês menores de um ano apresentam uma chance mínima de ter intolerância à lactose. Em tempo, a intolerância pode ser genética (um evento extremamente raro no qual o quadro inicia-se ao nascimento do bebê e é diagnosticado com o teste do pezinho), pode ser temporária (a partir de um quadro, por exemplo, de uma diarreia prolongada, que se reverte depois de algumas semanas) ou pode ser decorrente da diminuição da produção da enzima que digere o leite, a lactase (é a forma mais comum de intolerância e que tende a se iniciar com o passar dos anos, sendo mais frequente em adultos). 

Assim, uma campanha feita de forma errada, além de proporcionar todos esses transtornos em quem tem diagnóstico incorreto, pode favorecer um desmame desnecessário, frente à ilusão de que um leite deixará o bebê mais calmo e com menos cólicas. É a famosa dúvida: será que é normal meu filho chorar tanto? E, aí, começa-se a associar a amamentação com diversas características que preocupam as famílias.

Então, novamente, a pergunta: por qual motivo atribuir a uma linha infantil um produto sem lactose? Para ter uma bebida à base de leite com vitaminas e minerais? Certamente, alguns estão se beneficiando, mas outros tantos estão sofrendo com tamanha confusão. 

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