Quais nutrientes podem faltar na alimentação de uma criança alérgica à proteína do leite?

Por Viviane Laudelino Vieira

Na semana passada, escrevi bastante sobre vegetarianismo, anemia e ferro por causa de uma aula que dei sobre alimentação complementar e consumo de carnes. Com isso e por causa da minha realidade e de muitas outras mães (algumas, muito próximas), me senti quase na obrigação de falar melhor sobre a alimentação das crianças alérgicas à proteína do leite de vaca.

Por mais que, na grande maioria dos casos, a alergia seja transitória, durando poucos anos, quando se trata de um bebê, estamos falando de um organismo no período de mais intenso desenvolvimento do organismo. Assim, qualquer deficiência nutricional pode interferir nesse processo e, muitas vezes, as consequências são levadas pelo resto da vida.

Automaticamente, quando pensamos em uma alimentação sem leite, lembramos do cálcio. Mas será que esse é o único nutriente que precisamos ficar atentos? Vamos, aqui, elencar os principais nutrientes do leite!

Cálcio – Como já falamos, esse é considerado o principal nutriente do leite. Ele é um importante constituinte dos nossos ossos e dentes, além de participar do metabolismo de proteínas e de gorduras, auxiliar na contração dos nossos músculos e na transmissão de impulsos nervosos. Uma xícara de chá de leite fornece 250 mg do nutriente, sendo que a recomendação para bebês gira em torno de 500 mg e, para adultos, cerca de 1000 mg. A maior parte da literatura indica que o cálcio proveniente de animais é melhor absorvido do que o cálcio de origem vegetal, apesar de existirem linhas que afirmem o contrário. A presença de lactose (em todos os leites) e de vitamina D (no leite integral) auxilia na absorção do cálcio. Já a presença de alimentos contendo ácido oxálico e fitatos inibem a absorção do cálcio.

Proteína – Ela é fundamental para a musculatura, ossos, pele, cabelos e unhas, além de ser constituinte das enzimas, anticorpos e hormônios existentes no nosso corpo. A proteína de origem animal apresenta melhor aproveitamento pelo nosso corpo, quando comparada à de origem vegetal. Em geral, a alimentação atual fornece quantidade além do suficiente de proteínas, mas é importante ficar atento em se tratando de bebês, principalmente àqueles que não ingerem carnes e ovos. Caso essa seja a situação, as melhores fontes vegetais são as leguminosas, como feijão, ervilha, grão de bico (não se esqueça de associar com algum cereal, como o arroz), os cereais integrais, a chia e a quinoa.

Fósforo – É um nutriente que participa da estrutura das células, sendo necessário para a síntese das proteínas, além de manter o equilíbrio ácido-básico do nosso corpo. A deficiência também é rara, mas pessoas com deficiência de vitamina D (algo mais comum) são mais vulneráveis a terem problemas com esse nutriente. As principais fontes alimentares são os alimentos de origem animal, incluindo as carnes. De origem vegetal, com menor biodisponibilidade, encontramos nos cogumelos, castanhas e nozes.

Potássio – Ele auxilia na manutenção dos níveis adequados da pressão arterial,atua na contração muscular e participa da síntese de glicogênio, catabolismo da glicose, metabolismo proteico e de carboidratos. Por estar presente em diferentes alimentos, a diminuição da sua ingestão acontece em casos de problemas de saúde (como diarreia) ou quando se tem uma dieta muito monótona e pouco variada. Além do leite, é encontrado em  frutas, verduras, legumes, nas carnes, leguminosas e castanhas e nozes.

Magnésio – ƒ Constitui ossos e dentes, membrana celular e os cromossomos, além de participar  do metabolismo de carboidratos e das gorduras e auxiliar na produção de energia.  O excesso de cálcio, a presença de fitatos e o consumo de bebidas alcoólicas diminuem sua absorção, porém sua deficiência é rara. Outras fontes de magnésio são  as castanhas, nozes, as leguminosas, cereais integrais, frutos do mar e os vegetais verde escuros.

Vitamina B12 – Já falamos dela no post sobre consumo de carnes. Sua deficiência está associada à anemia e a única fonte são os alimentos de origem animal.

Vitamina B2 (riboflavina) – Ela é importante para que o nosso corpo aproveite as gorduras, proteínas e carboidratos dos alimentos, além de outras vitaminas, como a B12. Sua deficiência é mais incomum por estar presente em diferentes alimentos. Pode ser encontrada também na carne, além de hortaliças, como brócolis e espinafre

Vitamina A – É importante para o crescimento e desenvolvimento dos ossos e para a saúde dos olhos, da pele e do cabelo, além de ter um efeito antioxidante, protegendo o corpo da ação dos radicais livres que colaboram para o envelhecimento precoce das células. Pode ser encontrada em ovos e, sob a forma do betacaroteno, na manga, mamão, laranja, cenoura, abóbora, batata-doce e nas verduras  verde escuras. A deficiência em bebês atinge 190 milhões de crianças pré-escolares no mundo (inclusive, no Brasil, recomenda-se a suplementação para essa população), podendo causar problemas visuais.

Agora que você já conhece os principais nutrientes dos leites (origem animal), é possível articular, junto com um profissional, sobre como conduzir nos casos de alergia ou, mesmo, de uma dieta vegana. O cálcio é o que mais se destaca, mas, definitivamente, não podemos esquecer do conjunto de nutrientes que fazem parte desse alimento. Também não podemos esquecer que os nutrientes estão inseridos em diferentes alimentos, que interagem entre si, aumentando ou dificultando o seu aproveitamento de forma mútua. Além disso, cada organismo é particular e responde de formas diferentes entre si e de acordo com situações distintas em que ele se encontra. Por isso, é fundamental ficar atento a sinais de possíveis deficiências e ter o acompanhamento de um profissional competente!

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Categorias:Experiências e Vivências

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