O que mães relatam sobre o atendimento em saúde e a promoção e apoio à amamentação

Por Viviane Laudelino Vieira

Há algumas semanas, fiz um levantamento na internet relacionado a práticas de amamentação. Recebi quase 700 respostas em uma semana, após divulgar o questionário nas redes sociais! Tive que excluir algumas respostas incompletas e, finalmente, fiquei com 657 informações de mães de crianças com até 4 anos. Já aviso que essa pesquisa não teve a pretensão de ser científica, apesar de, depois das respostas, deu vontade de investir mais sério nesse assunto.

Meu objetivo principal era conhecer os incentivos à amamentação e ao desmame que as mulheres vivenciaram. Nesse post, quero trazer as informações sobre a atuação dos profissionais da saúde com os quais as entrevistadas tiveram ou têm contato relacionadas à promoção e apoio à amamentação.

Quando questionei sobre dificuldades para amamentar, a maioria (72,4%) referiram algum problema, como dor, fissura, mastite, dificuldade com a pega, entre outros. E onde essas mulheres procuraram ajuda? Veja o gráfico abaixo!

pesquisa profissional

Na maioria das vezes, a ajuda é informal, seja por informações na internet (as quais não sabemos sua procedência) e em redes sociais (que podem ter efeitos positivos mas, também, negativos). Considerando que orientações feitas por profissionais da saúde incluem os bancos de leite e os consultores (apesar de, atualmente, nem todo consultor apresentar formação no campo da saúde), esses contribuíram com menos de um terço das mães (29,5%). E qual a diferença de receber informações por meios informais ou por profissionais, já que muitos criticam a conduta médica e de outros profissionais? Quando você é mal orientado por um pediatra, nutricionista ou enfermeiro, por exemplo, você pode (e deve) fazer uma reclamação formal ou, inclusive, uma denúncia, dependendo da gravidade do ato. Cada um desses profissionais apresenta um conselho profissional para o qual cada profissão responde pelos seus atos. Também é possível levar a reclamação ao hospital, clínica ou unidade básica de saúde. Por outro lado, mesmo que um leigo tenha um grande conhecimento, se, por algum motivo, ele cometer uma falha, você não poderá fazer nada contra.

Agora, vamos falar sobre o desmame: 73,7% foram incentivadas a desmamar em algum momento, sendo que mais da metade (58,5%) foi incentivada por profissionais da saúde, principalmente os pediatras. As grandes justificativas foram problemas com o ganho de peso, cansaço materno e problemas com o sono do bebê. Somente 2 mães foram orientadas a desmamar porque referiram não querer mais amamentar.

Slide2

E a amamentação está relacionada com ganho de peso inadequado, problemas no sono ou causando cansaço na mãe? Com relação ao ganho de peso, caso não haja livre demanda ou pega correta, pode haver dificuldades, sim. Mas também é necessário ponderar o que é o ganho de peso ideal, já que muitos profissionais esperam um padrão comum a todos os bebês, desconsiderando seu biotipo. Somente excluindo todos os problemas ligados à amamentação, deve-se pensar em uma fórmula nesse caso. Com relação ao sono, se houver a ilusão de que um bebê dorme a noite toda nos primeiros meses, alguém pode se frustrar. O sono do bebê é diferente do adulto. Não significa que ele é anormal. E, muito provavelmente por isso, a mãe se desgasta. Mais um momento de reflexão para identificar o quanto de atividades a mãe está assumindo nesse período, além do cuidado com o bebê (e o próprio cuidado deve ser dividido, sempre que possível). Será que uma reorganização familiar ou com o seu entorno não melhoria seu bem-estar para que possa amamentar?

Também foi investigado se profissionais da saúde já tinham trazido informações que interferem na amamentação. Encontramos necessidade de espaçar mais as mamadas (31,1%), padronizar o tempo de mamada ou o clássico “20 minutos em cada peito” (27,2%) e padronizar intervalo entre as mamadas, que é o clássico “de 3 em 3 horas” (25,9%). Todas essas são orientações erradas dadas por esses profissionais e, mesmo que a mãe não reconheça uma associação com um desmame precoce, elas impactam diretamente na amamentação.

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Mesmo que a orientação de fórmulas infantis não tenha aparecido entre as principais respostas da pergunta anterior, 35,5% das mães referiram que seus bebês receberam fórmulas antes dos 12 meses. Dessas, 25,3% foram no primeiro mês de vida e 17,1% receberam ainda na maternidade ou hospital. Dessa forma, muitas dessas fórmulas devem ter sido prescritas pelo profissional da saúde. Se não houver nenhuma justificativa real para tanto, um bebê não deveria receber outro leite, além do materno, na maternidade, sob um risco de desenvolvimento de alergia.

E, diante dessas informações, como buscar um cuidado profissional ao nosso filho? Isso começa durante o próprio pré-natal. Ao escolher o hospital (caso não seja um parto domiciliar), verifique o protocolo que ele tem para cuidar do recém-nascido. Para quem possui condições, ter o próprio neonatologista nesse momento pode ser decisivo. E procure uma boa equipe de saúde! Muito se fala (mal) das unidades básicas de saúde, mas, frequentemente, elas estão mais preparadas para falar sobre amamentação e desenvolvimento infantil. Caso o acompanhamento seja com profissionais particulares (ou convênio), busque referências, converse bastante, tire as dúvidas e, se não se sentir acolhida e segura, não ouse trocar. Esses cuidados podem fazer toda diferença para a saúde do seu filho!

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2 respostas

Trackbacks

  1. Esse não é um texto contra as mães que não amamentam |
  2. Tigers é um duro lembrete sobre o real impacto das fórmulas infantis no mundo |

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