A fisiologia da amamentação justifica porque somos capazes de amamentar

Por Viviane Laudelino Vieira

Esse parece ser um assunto muito quadrado para começar um blog, mas eu trago aqui porque entender questões fisiológicas, que não são tão complicadas, vão dar uma segurança a mais para quem vai amamentar ou já está amamentando.

Para amamentar, precisamos de basicamente de um peito que produza leite e um bebê capaz de sugar. Quando falo do bebê capaz de sugar, que fique claro que ele abocanhe não somente o mamilo, mas também a aréola, pois, assim, garante-se a retirada do leite. Aliás, logo farei um post sobre a pega adequada e outros sinais que identificam uma sucção eficiente, pois há pontos bem importantes e fáceis para observarmos.

Da parte do peito produtor de leite… Como isso se dá? Existem dois hormônios envolvidos nesse processo: a ocitocina e a prolactina. A ocitocina é a responsável por fazer o “leite descer”, ou seja, sair dos alvéolos, onde o leite é produzido, para os ductos lactíferos. Esse hormônio é estimulado antes, durante e após a amamentação. Durante, pela própria sucção do bebê. Nos outros momentos, basicamente pelo bem-estar materno e sua vinculação com o bebê. Qual mãe nunca sentiu o peito vazar só de pensar no bebê? Isso é efeito da ocitocina. Por outro lado, uma mãe estressada, cansada e insegura poderá inibir a produção do hormônio. Vale lembrar que é a ocitocina que ajuda o útero a retomar seu tamanho pré-gestacional. Po!r isso, às vezes sentimos cólicas durante a amamentação.

Já a prolactina é responsável pela produção do leite nos alvéolos e é estimulada basicamente pela sucção do próprio bebê. Assim, quanto mais o bebê mama (com pega correta), mais prolactina é produzida e mais leite a mulher terá. A livre demanda é, então, o melhor remédio para estimular a produção de leite, inclusive no período noturno, que é quando se produz mais prolactina (um bom motivo para ficar feliz por acordar de madrugada para amamentar). Colocar horários pré-estabelecidos pode ser perigoso, pois estamos padronizando a demanda do bebê sem sabermos sua real necessidade e, assim, teremos menor produção de leite. Daí, é um passo curto para um eventual ganho de peso insuficiente e a necessidade de complementação (caso o erro não seja identificado). A prolactina também tem efeito inibitório da ovulação. De novo, quanto mais prolactina, menor a chance de engravidar (lembrando que há falhas, como qualquer método contraceptivo).

É engraçado que, muitas vezes, temos medo de não termos leite para a próxima mamada e, às vezes, tentamos economizar, dando só um dos peitos. Peito cheio não ajuda em nada na amamentação. Como diz Carlos Gonzalez, a mulher não é um reservatório de leite, mas uma fábrica. Quanto mais o bebê mama (ou, se não conseguir mamar tudo, a mãe pode fazer a ordenha manual), com certeza mais leite terá. Não precisamos ter medo! Aliás, como já falei, o medo comprovadamente atrapalha a amamentação. Então, buscar informações corretas, ajuda com pessoas capacitadas em orientar sobre amamentação, ter confiança e estar próxima ao bebê o maior tempo possível são pilares fundamentais para que mãe e bebê aproveitem muito esse período tão especial.

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